Usei o Claude para “vibe-codar” minha casa inteligente extremamente complicada
Cansado da bagunça que virou minha casa inteligente? Luzes que não se entendem, dispositivos que somem da rede e a promessa de uma automação que nunca chega? Pois é, eu também! Mas, recentemente, me deparei com um artigo na The Verge sobre como a galera está usando inteligência artificial, especificamente o Claude Code, para criar ferramentas sob medida e simplificar a vida conectada em casa. A ideia de “vibe-codar” minha casa, sem precisar ser um gênio da programação, me fisgou na hora. E o melhor: o resultado foi muito além do que eu esperava. Neste artigo, vou te mostrar como a IA pode ser a solução para domar a sua casa inteligente, mesmo que ela seja um Frankenstein de gadgets como a minha.
O caos da casa inteligente moderna
Vamos ser sinceros: quem nunca se frustrou com a incompatibilidade entre os dispositivos da sua casa inteligente? A minha, por exemplo, é um festival de marcas e protocolos diferentes. Tenho Alexa, Google Home, Apple Home, SmartThings e Home Assistant rodando ao mesmo tempo. E para completar, mais de uma dezena de “pontes” e hubs conectando luzes, fechaduras, sensores e afins. O resultado? Uma experiência fragmentada, com poucos dispositivos conversando entre si. Automações que param de funcionar do nada, configurações que se perdem e, no final das contas, mais dor de cabeça do que praticidade.
A situação no meu escritório é a prova viva dessa frustração. Quero apenas ligar e desligar todas as luzes com um único comando. Mas elas são de seis fabricantes diferentes, usando quatro protocolos distintos! A solução ideal seria ter uma interface única que me permitisse controlar tudo de forma simples e intuitiva. Foi aí que o Claude Code entrou em cena. A promessa era criar um painel de controle sob medida, sem precisar escrever uma única linha de código. Será que deu certo?
Primeiros passos com o Claude Code: nem tudo são flores
A ideia era simples: usar o Claude Code para criar um painel de controle que centralizasse todos os meus dispositivos. A primeira tentativa foi um desastre. O painel gerado era confuso, com metade dos nomes dos dispositivos indecifráveis e sem qualquer controle. Pedi para adicionar os dispositivos conectados às minhas pontes da Lutron e Philips Hue, mas nada feito. Depois tentei deixar o painel mais “usável”, com nomes reconhecíveis e botões para controlar as coisas, mas o resultado continuou sendo um caos.
Ficou claro que eu precisava de mais do que zero conhecimento de programação. Foi então que o Claude Code sugeriu: “integre com o Home Assistant”. No fundo, eu já esperava por isso. O Home Assistant é uma plataforma de código aberto que oferece ampla compatibilidade e integrações. Mas a curva de aprendizado é íngreme. Comecei a fuçar, mas desisti. Parecia que a IA seria a minha salvação.
Home Assistant e Claude Code: uma dupla imbatível
A chave para o sucesso foi a linguagem natural. Em vez de escrever código, eu simplesmente digitava o que queria que acontecesse. O Claude Code se tornou o tradutor entre as minhas necessidades e a implementação técnica que o Home Assistant exige (arquivos YAML, ferramentas de desenvolvedor, automações). Comecei pedindo para ele encontrar todos os dispositivos conectados à minha rede e sugerir automações. E, acredite, funcionou!
Usando o “Model Context Protocol” do Chrome, o Claude Code analisava minha configuração do Home Assistant e marcava os dispositivos que ainda não estavam integrados. Ele sugeriu várias automações e se ofereceu para configurá-las. Criei uma automação para fechar as persianas quando o ar condicionado ligasse e outra para me avisar quando a produção de energia solar diminuísse. A cereja do bolo foi a configuração do meu interruptor inteligente Leviton, que exigia um arquivo YAML. O Claude Code descobriu a integração, testando algumas abordagens sem sucesso antes de perceber que precisava instalar o complemento do Visual Studio Code para editar o arquivo YAML. Em uma hora, o interruptor estava configurado e eu tinha uma automação para desligar o ventilador barulhento ao qual ele se conecta.
O futuro da casa inteligente está na IA (e na sua supervisão)
O processo não foi perfeito. O Claude Code, como toda IA, cometeu seus erros. Em alguns momentos, ele apagou seções inteiras do meu painel quando pedi para reorganizar algo. Em outros, escolheu o dispositivo errado nas automações. Mas, no fim das contas, valeu a pena. A IA simplificou e acelerou a configuração de uma plataforma complexa. Tornou as ferramentas poderosas do Home Assistant mais fáceis de usar e me ensinou como usá-las. Em cerca de quatro horas, “vibe-codei” o meu Home Assistant para um estado utilizável.
Ainda há muito o que fazer, mas agora tenho um cérebro central para a minha casa inteligente e posso ser mais criativo com as automações e sensores. A promessa da IA na casa inteligente é fazer a complexidade desaparecer. E, finalmente, estou vendo esse futuro se tornar realidade. Então, se você está cansado da bagunça e quer domar a sua casa inteligente, dê uma chance para o Claude Code. Mas lembre-se: a supervisão humana ainda é fundamental. Afinal, a IA é uma ferramenta, não uma varinha mágica.



