Como a PF recupera mensagens de celulares em investigações

A tecnologia por trás da invasão digital

A Polícia Federal não tira informações de celulares com varinhas de condão, infelizmente. O negócio é muito mais complexo e envolve ferramentas poderosas e muita expertise. A estrela da vez são softwares como o Cellebrite e o Greykey, que são usados para “quebrar” a segurança dos aparelhos. Basicamente, esses programas tentam descobrir a senha de acesso e, uma vez dentro, conseguem baixar tudo o que há no celular. É tipo ter uma chave-mestra que abre qualquer porta. Eles conseguem fazer isso mesmo que o celular esteja bloqueado, mas a extração dos dados pode levar um tempo. A Cellebrite, por exemplo, é uma empresa israelense que tem um equipamento que se conecta ao celular para extrair informações. Já o Greykey é americano e consegue fazer o mesmo, mas o custo para ter acesso a essas ferramentas pode chegar a US$ 50 mil por ano. É, não é nada barato vasculhar a vida alheia.

A Gaiola de Faraday e a preservação de evidências

Antes de qualquer coisa, a PF precisa garantir que os dados do celular não sejam perdidos ou alterados. É aí que entra a famosa Gaiola de Faraday. Imagina uma caixa ou bolsa feita de um material que bloqueia qualquer sinal externo, como o Wi-Fi ou a rede de celular. O objetivo é simples: isolar o aparelho do mundo exterior para que ninguém consiga apagar dados remotamente. É como colocar o celular em quarentena, impedindo que ele se comunique com o mundo. Isso é crucial para evitar que o dono do celular, ou qualquer outra pessoa, tente apagar informações remotamente, o que poderia comprometer a investigação. A Gaiola de Faraday garante que a perícia tenha tempo hábil para analisar tudo com calma, sem interferências.

IPED: o software que transforma dados em informações

Além de acessar os dados, a PF precisa encontrar o que realmente importa nas investigações. Para isso, eles usam o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), um programa criado pelos próprios peritos da PF. O IPED é como um detetive digital que vasculha o celular em busca de informações relevantes. Ele consegue fazer buscas por palavras-chave, números de telefone, valores financeiros e até mesmo extrair texto de imagens. O IPED usa um sistema parecido com o dos radares de trânsito, que transformam a imagem da placa do carro em texto para ser identificado no sistema. O programa consegue analisar mensagens apagadas (exceto as de visualização única) e organizar tudo de forma legível. A melhor parte? O código-fonte do IPED está disponível na internet desde 2019, permitindo que outros desenvolvedores colaborem e melhorem a ferramenta.

Chip off e outras técnicas para extrair dados

E quando o celular está desligado ou danificado? Aí a coisa fica hardcore. Uma das técnicas usadas é o “chip off”, que é basicamente desmontar o celular. Os peritos retiram componentes como o chip de memória e transferem os dados para outro dispositivo. É um trabalho minucioso e que exige conhecimento técnico avançado. É como fazer um transplante de cérebro, mas em um celular. A extração dos dados pode ser demorada, mas é uma das opções para conseguir informações importantes. Os peritos têm pressa para fazer a extração, pois algumas informações importantes, como a senha de bloqueio da tela, ficam em uma memória temporária do aparelho. Se o celular for desligado e ligado novamente, fica mais difícil de quebrar a senha.

Conclusão: a tecnologia a serviço da investigação

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