Visio: a França manda um “tchau” para Teams e Meet em prol da soberania digital
A França está dando um chega pra lá nas gigantes da tecnologia e apostando em uma solução própria para suas necessidades de videoconferência. A partir de 2027, todos os órgãos estatais franceses vão migrar para o Visio, um aplicativo de código aberto que promete ser a resposta para questões de privacidade, segurança de dados e, de quebra, uma bela economia nos cofres públicos. Mas por que essa mudança radical? E o que podemos aprender com essa atitude, aqui no Brasil? Se você se interessa por tecnologia, segurança e a luta (constante) por mais privacidade, pode ter certeza que este artigo é para você.
Prepare-se para entender como a França está jogando pesado no tabuleiro da soberania digital, e como essa jogada pode mudar a forma como governos e empresas lidam com a tecnologia.
O que é o Visio e por que ele importa?
O Visio é um aplicativo de videoconferência que roda no navegador, sem a necessidade de downloads e instalações complicadas. Ele é baseado no Jitsi Meet, um software de código aberto, o que significa que seu código-fonte é aberto e pode ser auditado por qualquer pessoa. Essa característica é crucial para garantir a segurança e a transparência, um dos grandes objetivos do governo francês com essa mudança. A França está cansada de depender de empresas estrangeiras, como Microsoft e Google, para serviços essenciais. A ideia é ter controle total sobre os dados de seus cidadãos e a infraestrutura tecnológica do país.
Em resumo, o Visio é mais do que um simples app de videochamada; é uma declaração de independência tecnológica e uma aposta na segurança e privacidade dos dados.
Código aberto: a chave para a segurança e a economia
A escolha do código aberto para o Visio não é por acaso. Ao contrário das plataformas proprietárias, como Teams e Meet, o código aberto permite que o governo francês (e qualquer outra pessoa) analise e audite o código do aplicativo. Isso facilita a identificação e correção de possíveis falhas de segurança, além de garantir que não haja “portas dos fundos” para acesso não autorizado aos dados. Outra vantagem é a economia. Ao usar uma solução de código aberto, o governo francês evita os custos de licenciamento das plataformas comerciais, o que representa uma economia de milhões de euros por ano. E, claro, a ausência de instalações extras facilita a vida dos usuários e reduz as chances de ataques cibernéticos.
A estratégia francesa: soberania digital e proteção de dados
A França está preocupada com a lei americana conhecida como U.S. Cloud Act, que permite ao governo dos EUA acessar dados armazenados por empresas americanas, mesmo que esses dados estejam em servidores localizados fora dos EUA. Para evitar esse risco, o Visio será hospedado na Outscale, uma subsidiária da Dassault Systèmes, garantindo que a infraestrutura esteja sob as leis europeias. Além disso, a iniciativa faz parte de um ecossistema maior chamado La Suite Numérique, que inclui outras ferramentas de código aberto para substituir o Microsoft 365. O objetivo é claro: criar um ambiente digital soberano, onde os dados dos cidadãos franceses estejam protegidos e sob controle do governo.
O que podemos aprender com a França?
A atitude da França é um exemplo inspirador para outros países, incluindo o Brasil. A soberania digital é um tema cada vez mais relevante em um mundo onde a tecnologia permeia todos os aspectos da nossa vida. Ao adotar o código aberto e investir em soluções próprias, o governo francês demonstra que é possível ter mais controle sobre a tecnologia que usamos, proteger a privacidade dos cidadãos e economizar recursos públicos. Claro, a implementação de uma iniciativa como essa não é simples. Exige investimento em infraestrutura, capacitação de equipes e, principalmente, vontade política. Mas os benefícios, como a França está mostrando, podem ser enormes.
E aí, o que você achou dessa atitude dos franceses? Será que um dia veremos algo parecido por aqui? Deixe sua opinião nos comentários e vamos trocar uma ideia sobre o assunto. 😉



